Sete indicadores que toda indústria deveria acompanhar (e a maioria não acompanha)
OEE, custo real por unidade, margem por linha e mais quatro indicadores industriais que costumam faltar nos painéis, e por que a ausência custa caro.
Quase toda indústria acompanha faturamento e volume produzido. São os dois números que aparecem em qualquer relatório de ERP sem esforço nenhum.
O problema é que nenhum dos dois responde à pergunta que importa: este produto está dando lucro?
Abaixo, os sete indicadores que costumam faltar, e o que a ausência de cada um esconde.
1. OEE (Eficiência global do equipamento)
Combina três fatores: disponibilidade, performance e qualidade.
A maioria das fábricas mede alguma coisa parecida com disponibilidade ("a máquina ficou parada X horas") e para por aí. Só que uma máquina que roda 100% do tempo a 70% da velocidade nominal, produzindo 5% de refugo, tem OEE de 66%, e o relatório de disponibilidade vai mostrar 100%.
O que a ausência esconde: capacidade ociosa dentro de uma fábrica que parece estar no limite. É comum descobrir que não era necessário comprar a máquina nova.
2. Custo real por unidade produzida
Não o custo padrão. O custo real, com rateio rastreável de mão de obra, energia, manutenção e refugo.
O que a ausência esconde: a diferença entre padrão e real é onde a margem some. Quando o custo padrão é revisado uma vez por ano, a fábrica passa onze meses tomando decisão de preço com número desatualizado.
3. Margem por linha de produto
Receita menos custo industrial real, por item.
O que a ausência esconde: o item campeão de volume operando com margem negativa. Acontece com mais frequência do que se imagina, especialmente em produtos antigos que nunca tiveram o preço revisado enquanto o custo de insumo subia.
Este é o indicador que mais gera silêncio na sala quando aparece pela primeira vez num painel.
4. Refugo e retrabalho por causa raiz
Não o percentual total, mas a quebra por motivo, máquina, turno e operador.
O que a ausência esconde: um percentual agregado de 3% parece aceitável. Quando você abre, costuma virar "0,5% distribuído por toda a fábrica e 2,5% concentrado numa única causa", que normalmente é resolvível.
5. Aderência ao plano de produção
Produzido contra planejado, com o desvio classificado por motivo.
O que a ausência esconde: o PCP replaneja constantemente para acomodar desvios e, com isso, o desvio desaparece do registro. A fábrica parece estar cumprindo o plano porque o plano é reescrito para caber no que foi feito.
6. Giro de estoque por categoria
Cobertura em dias, separada entre matéria-prima, material em processo e produto acabado.
O que a ausência esconde: capital imobilizado em item obsoleto convivendo com falta do item que vende. O número agregado de estoque fica dentro da meta enquanto as duas situações se compensam na média.
7. Custo de manutenção: preventiva contra corretiva
A proporção entre as duas, por ativo.
O que a ausência esconde: a corretiva não custa só a peça e a hora do mecânico. Custa a parada de produção, o setup perdido e, muitas vezes, o refugo do lote interrompido. Quando esses custos não são atribuídos ao ativo, a manutenção preventiva parece cara e a corretiva parece barata.
O ponto comum entre os sete
Nenhum deles é difícil de calcular. Os dados existem: estão no apontamento de chão de fábrica, no módulo de custos do ERP, na ordem de manutenção.
O que falta é a conexão entre as fontes. O apontamento vive num sistema, o custo em outro, a manutenção num terceiro. Enquanto cada um for consultado separadamente, nenhum dos sete indicadores existe.
É por isso que projeto de BI industrial quase nunca começa pelo dashboard. Começa por juntar o que já está lá.
Quer avaliar quais desses indicadores já são possíveis com os dados que sua fábrica tem hoje? Fale com a gente.